quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Deixa o teu parceiro SIG antes que ele te deixe

Nota: é o parceiro SIG. Esta postagem não tem nada a ver com idealogia de género. É ver o nome do Blogue.

Toda aquela conversa de "clientes", "parceiros", "ecosistema", "casa-mãe", "o representante", "revendedor", "evangelizador técnico", "conferência de parceiros de negócio", "account manager", "application engineer" ... utilizada pelos "players", ... todo esse arrozoado não caiu do céu.

Pessoalmente prefiro falar em "técnico pré-venda", "técnico pós-venda", "ser ou não ser staff no fórum xpto", "cidadãos de segunda"!!, "a ralé do SIG"!!!

E até pode levar à pergunta: mas afinal de contas, de entre todos os intervenientes na cadeia alimentar do SIG, qual é o interveniente mais propenso a que lhe espetem a faca? O sucker?

Convém saber. É que se não souberem, por exclusão de partes, só resta uma possibilidade. Vocês!

Normalmente o cliente final (o das Administrações Públicas) é que leva com a má fama (com a bomboca!). Mas não é. Não pode ser. O dinheiro nem é dele!!! Vem de Bruxelas. Mesmo que só seja comparticipado a 50%, e tenham de pagar IVA, não interessa. Diz-se sempre que é de fundos comunitários. Ademais, ninguém paga do próprio salário. 

E para o gestor de projecto SIG aí de uma chafarica qualquer quanto mais melhor. Andar a gerir projectos de 20k EUR?!! Isso nem é digno de especialistas da OE. Por mais formações em QGIS que a OE faça! Por acaso o coordenador da especialidade também andou a perguntar na respectiva comunidade se o suporte a Bing Maps no Geomedia Desktop (jclopes) já estava pronto! Mas isso são outros quinhentos!

O limite de 20k EUR nos Ajustes Directos é só para enfeitar, e bem! Carrega no pedal!! Pelo menos 75k, como era antes de 2018. Por ano. Porque estão sempre a sair novas versões. E, a base.gov é só para entreter gajos como eu que não gostam de PlayStation!

Como é que vão explicar a um autarca, que tenha o 9º ano mal feito, que o Google Earth Pro, apesar de gratuito, não é bem a mesma coisa? Quanto mais caro, mais credível....e ninguém quer andar a exportar camadas para KML só para democratizar o acesso à IG dentro das organizações.

Apesar de haver por aí teses de mestrado sobre isso:


"A disponibilização da informação gráfica e alfanumérica implementada no SIG em ambiente WEB, era um objetivo importante para a empresa SIMLIS pois permitia a qualquer colaborador aceder a qualquer atributo das caixas de visitas ou dos emissários. A empresa optou por recorrer ao Google Earth" (pág. 21)

"Por outro lado, pelo facto de o software G/Interaqua, ser de comercialização e manutenção bastante dispendiosos, a SIMLIS apenas tinha possibilidade de suportar o licenciamento para um computador, o que limitava o acesso à informação das equipas acima descritas, tendo os pedidos e consulta da informação de passar sempre por esta máquina e por quem a operava." (pág. 21)


Estágio Curricular em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e Gestão da Manutenção das Infraestruturas da empresa SIMLIS, S.A. (2015)

Continuando,

Para mim, o sucker típico é a empresa que é parceira, mas também é cliente, e que ainda por cima, tem a casa-mãe a fazer-lhe concorrência, e mais, a empresa está trancada à tecnologia de que é cliente.... E ainda não percebeu. E muito provavelmente já não vai a tempo.

Não foi o caso da AppGeo, 

Em Maio deste ano (2019), foi publicada uma postagem muito interessante da AppGeo, a qual, de entre os service providers registrados na OSGeo, está como core contributor,

Five Years Later: Life After Retirement from the Esri BP Program

Desde que deixaram de ser parceiros da ESRI, há 5 anos, duplicaram o volume de negócios, crescimento a cima do mercado SIG, no mesmo período.

É bom. Deixaram de ser parceiros e passaram "só" a ser clientes. Mas como quando eram parceiros também tinham de ser clientes. Aliás, pelo que dizem ser parceiro só servia para dizer que eram parceiros. E a ESRI não gostava que também fossem parceiros da Google. E a ESRI fazia concorrência nos mesmo contratos. E a ESRI queria que só utilizassem o seu software. E...

É ler a postagem original de 2014,

“Jack wants to talk with you, one-on-one”

Nós por cá não sei bem:

Sei que da Intergraph quando são contratos importantes vem um espanhol de Madrid, para assinar. Se leva o cheque já não sei. 

Quanto à ESRI, mesmo que tenha uma percentagem na sucursal (30%??) certamente que as licenças não são de borla, antes pelo contrário! Pode parecer um paradoxo mas é mesmo assim: aumenta o volume de negócios via software vendido à sucursal, e via partilha de lucros da posição detida na sucursal. Ainda para mais quando se está em posição dominante de mercado!

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